sábado, 27 de julho de 2019

O PORTAL TEM... DE SER SEXY...

Há vários tipos de incontinência, um deles é a verbal. Alguns até estão intimamente ligados.
O Portal já chegou... e tem de ser sexy. E é muito intuitivo.
Mais um contributo para esclarecer quem tem dúvidas sobre como estabelecer uma estratégia de recrutamento apelativa e eficaz.
  

D.ª ROSA, O SEU "PORTAL" CHEGOU




Se havia dúvidas quanto à falta de discernimento sobre as políticas de recrutamento de militares em regime de contrato, não há nada melhor do que ver e ouvir as declarações do principal responsável  no MDN, para ficarmos esclarecidos... se ele conseguisse articular um pensamento! 
"se o jovem quiser ser médico vai ao Portal" Médico?! mas não há médicos praças! será que não percebeu que o problemas das Forças Armadas não são médicos mas a falta de praças?! 
Vá lá... uma ideiazinha mesmo que pequenina sobre o que pensa fazer o MDN para recrutar praças. Nada!
O portal que vem apregoar não é novo. No fundamental já existe há anos.
O que terá de acontecer para se perceber que esta fórmula de recrutamento (de cima para baixo centralizada no MDN) não funciona?! a que funcionava e que foi desmantelada com a sua anuência (e conivência) era a que assentava na estrutura de recrutamento dos Ramos (descentralizada e de baixo para cima), assente na malha territorial das unidades? Que mais evidências são necessárias para perceber que esta estratégia é errada?!
O Bento Jesus Caraça (BJC) dizia que não tinha medo de errar, porque estava sempre pronto a corrigir o erro. Mas isso era o BJC.
Vem-nos acenar com o " Plano de Ação para a Profissionalização", uma compilação de medidas que falharam. Implementar a figura do gestor de carreira para os militares RC/RV?! Por amor de Deus! 
Teve muito tempo para estudar recursos humanos, em vez de pós-graduações em Direito Desportivo. Se o tivesse feito talvez tivesse agora alguma gota de clarividência. 





quarta-feira, 23 de maio de 2018

A falácia: Isaltino Morais e a sua visão para o Concelho de Oeiras



Isaltino Morais partilhou recentemente com o mundo a sua visão para o Concelho de Oeiras, a qual incluía o sonho de tornar Paço D’Arcos numa Saint-Tropez. Parece-me que o degredo lhe coartou a ambição. Como oeirense estou desapontado pelas suas vistas curtas. O antes aguerrido visionário afrouxou o ímpeto.
Qual Saint- Tropez! Uma coisa a sério era transformar a costa de Oeiras numa Côte d’Azur, numa Costa Azzurra, numa Riviera à portuguesa, para deleite dos fregueses do Concelho mais letrado do país. Já estou a imaginar uma Riviera a la portugaise. Claro, desenhada com uma ambição à nossa medida.
Se o Mónaco tem um Grand Prix de Fórmula I, Oeiras poderia ter um Grand Prix de karting; se Cannes tem um festival de Cinema, por que é que Oeiras não tem, por exemplo, um festival internacional de cinema sobre corrupção? Se Monte Carlo é uma etapa do Jumping International, porque não pode ser Oeiras uma etapa do asinus Jumping International (parece  que em Trás-os-Montes há uma espécie em vias de extinção)? E por aí adiante.
Why not, darling? Sempre que um homem pensa, o mundo pula e avança.
Falando a sério. Convém perceber o que Isaltino pretende verdadeiramente fazer, agora que lhe faltam os rios de dinheiro europeu que teve no passado. Apesar da analogia saloia entre Paço D’Arcos e Saint-Tropez – que nos leva a interrogar se alguma vez lá esteve – Isaltino mostrou o seu pensamento, não propriamente para o Concelho, porque para isso não tem muito, mas para a sua linha de costa onde pode ainda dar largas à sua senha construtiva, altamente remuneradora. Construção civil em força. Barrote ao alto!
Isaltino quer transformar uma área de classe média fundamentalmente residencial - de escoamento de dezenas de milhares de pessoas que trabalham em Lisboa – numa zona de lazer para ricos. E como fazer isso?   
Isaltino não está preocupado com a mobilidade suave, com os transportes públicos, hubs rodoviários onde a tal classe média possa deixar os seus automóveis e apanhar transporte públicos para Lisboa. Ele quer é fazer obras na marginal que “tem de ser cada vez mais uma avenida, em vez de uma estrada de circulação de grande tráfego”. Digamos… tipo uma Promenade des Anglais, em Nice.
Os túneis e viadutos previstos para a marginal não visam melhorar a qualidade de vida da população. O alvo é outro.
Para consumar esta ânsia frenética, Isaltino pretende recorrer “a procedimentos simplificados de contratação pública que dispensam a abertura de concurso”. Segundo ele, a urgência dos projetos “não se compadece com abertura de concurso público”. Será que estão a ver o mesmo que eu?
Isaltino quer três marinas numa frente de costa com 6,5 km (quem disser que é megalomania é um velho do Restelo e não é construtivo). Uma já lá está, a de Oeiras. As restantes duas (Paço D’Arcos e Cruz Quebrada) e respetivas infraestruturas turísticas de apoio dirigem-se a um segmento de mercado diferente: ao lazer dos turistas ricos que se fazem transportar em iates e veleiros transatlânticos. A construção do mega empreendimento na Foz do rio Jamor serve esse propósito. Em Paço D’Arcos, a consumação do golpe exige a prévia alienação das instalações militares onde serão construídos os hotéis de apoio.
Na verdade, o modelo que Isaltino nos pretende impingir não tem a ver com Saint-Tropez, sendo remotamente parecido com o do Mónaco, ou mais propriamente com o de Monte Carlo.
O que Isaltino nos vem propor é uma falácia. A ideia não seria estúpida se fosse possível conciliar as dinâmicas de uma via que escoa diariamente largas dezenas de milhar de viaturas com as de um projeto turístico com requisitos completamente diferentes. Isaltino quer transformar a marginal numa avenida, em vez de uma estrada de circulação de grande tráfego. Mas não diz onde vai meter o tráfego existente mais o que resulta da criação dos quase mil fogos na Quinta dos Inglesinhos, do tráfego induzido pelos milhares de utentes da futura Universidade Nova, ao que se soma ainda o do projeto do Alto da Boa Viagem e do projeto da Foz do rio Jamor, tudo isto em cima da Marginal, sem outra alternativa de acesso.

 Mesmo partindo do princípio que o segmento de mercado que Isaltino pretende captar seria servido com a oferta que pretende disponibilizar (Monte Carlo e Oeiras são duas coisas tão parecidas que até proponho a geminação), a verdade é que a implementação desta ideia seria dramática para a qualidade de vida de quem vive todo o ano no Concelho. Com esta falácia ganhariam uns poucos em detrimento e à custa da grande maioria. É importante perceber, digamos, a nuance. É isto que os habitantes de Oeiras querem?

domingo, 12 de novembro de 2017

O MINISTRO DA DEFESA NO DEBATE PARLAMENTAR SOBRE O ORÇAMENTO DA DEFESA PARA 201

Na passada sexta-feira (10NOV2017) o Ministro da Defesa esteve na Assembleia da República, no debate parlamentar sobre o orçamento da Defesa para 2018. Das várias questões abordadas saliento duas em particular: o futuro papel da Força Aérea no combate aos fogos e a adjudicação à NPSA dos contratos de aquisição de equipamento militar, uma agência da OTAN que se faz cobrar bem por esse trabalho. Depois de um discurso muito palavroso (nos tempos do PREC dava-se outro nome a este linguajar), mas pouco substantivo, cabe-nos dizer o seguinte:
Relativamente ao primeiro assunto, verifica-se que as instâncias oficiais ainda não aprenderam. Não sei o que terá ainda de acontecer para perceberem que a estratégia que estão a seguir é errada. A anunciada utilização dos C-130 (depois de desmilitarizados) e dos KC-390 (a possibilidade de lançarem água vai ainda ser ainda estudada e pelos vistos a pedido de Portugal) no combate aos incêndios recorrendo a kits próprios não é solução. Quantas vezes se terá de repetir que a adaptação de aviões para combater incêndios é uma solução medíocre. Têm de voltar sempre à base após cada descarga para serem reabastecidos de calda retardante ou de água, um processo logístico caro, extremamente moroso e de eficácia questionável. Completamente diferente de ter um bombardeiro pesado de combate a incêndios estacionado, por exemplo em Tancos, com a lagoa da barragem de Castelo do Bode ao lado e que se abastece de 5.500 litros de água em dez segundos. Mais barato, rápido e eficaz. Todos os países da bacia do Mediterrâneo com áreas de florestas comparáveis à portuguesa estão equipados com frotas de 6 a 24 aviões pesados anfíbios de combate a incêndios. Ou ainda há dúvidas sobre o mérito de uma solução que passe por possuir capacidades próprias destes meios? de que estamos à espera para adquirir este tipo de equipamento?  O Governo parece continuar sem planos. Convém não esquecer que a hipótese de se repetirem fogos semelhantes aos de junho e de outubro não só existe como é elevada.
Relativamente ao segundo tópico, as adjudicações à NSPA. Ao mencionar a aquisição de equipamentos militares, o Ministro da Defesa referiu que seria mais conveniente recorrer a “estruturas (teria sido mais correto falar em instâncias/agências) internacionais por questões de transparência”. Um processo de aquisição de material militar é mais transparente se for feito pela NSPA do que pelas autoridades portuguesas. Ora esta afirmação está ao nível das declarações sobre o furto de equipamento militar nos paióis de Tancos, tão bem conhecidas dos portugueses, pela sua infelicidade. Isto foi dito aos deputados da Nação e ninguém questionou o teor desta afirmação. Estariam distraídos?! Dispenso-me de comentários. Na prática, ao admitir que os processos de contratação feitos pela sua administração são pouco transparentes, colocou-se, assim como aos funcionários do ministério que tutela, numa situação muito incómoda e vulnerável. Questionou a sua competência e seriedade, a sua fiabilidade. Haverá outra leitura?

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

UMA PERGUNTA A MIGUEL ESTEVES CARDOSO (MEC) DE UM TIPO OBSTINADO, RANCOROSO E ESTÚPIDO.

Lastimo confrontar-me frequentemente nas redes sociais e na comunicação social com o insulto e a agressão verbal. Contraditório feito com recurso à desqualificação ordinária em vez de argumentação.
MEC opinou num artigo de opinião publicado pelo jornal “Público”, a 2 de novembro, que os portugueses que preferem ser independentes da Espanha são “uma gente obstinada, rancorosa e estúpida”.
Eu sou um deles, apesar de ser um apaixonado por Espanha onde tenho imensos amigos e onde passei um dos anos mais marcantes da minha vida e que mais memórias me deixou. Apesar disso, com espanhóis…amigos, amigos, independência à parte.
No dia 3 de novembro, MEC afirmou no mesmo Jornal ser “completamente a favor da independência da Catalunha e acreditar que é uma questão de tempo — cada vez menos — antes dela acontecer”
Cabe agora ao “obstinado, rancoroso e estúpido” perguntar a MEC porque é a favor da independência da Catalunha e não de Portugal?
Onde é que está a coerência?
Mas explique devagarinho para conseguir perceber. Um muito obrigado.
Sobre as elites portuguesas (culturais, económicas e políticas) que gostavam de ser espanholas, fica para outra ocasião. Duas coisas ao mesmo tempo é muito para mim.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Manchester, Londres, Barcelona, Cambrils, Turku, Surgut…


Há mais de um mês escrevi este artigo de opinião para ser publicado um jornal de referência da nossa praça, o que acabou por não acontecer. Tinha como referência os ataques terroristas no Reino Unido. Entretanto, deixou de ter oportunidade mediática apesar de permanecer infelizmente atualizado. Onde se lê Reino Unido podia perfeitamente ler-se Espanha. Sobretudo na Catalunha, repetem-se os mesmos fenómenos já identificados noutras sociedades europeias. Referimo-nos a “sociedades paralelas” de natureza sectária (o El Raval – um bairro nas proximidades de La Rambla habitado maioritariamente por muçulmanos -  foi apelidado do Molenbeek de Barcelona) e tal como na Bélgica e noutros países europeus um número significativo de imams não fala espanhol.

Ainda sobre os Ataques Terroristas no Reino Unido. O Lado Positivo de Eventos Dramaticamente Negativos
O Estado Islâmico tentou convencer meio-mundo que os ataques ocorridos a três de junho de 2017, na ponte de Londres, eram da sua autoria. Fez saber através da sua agência noticiosa (Amaq) que “um destacamento de combatentes do Estado Islâmico executaram…um ataque em Londres”. Era reivindicado no comunicado que os atos tinham sido cometidos por operacionais do Estado Islâmico e não por “lobos solitários”. Com isto, o Estado Islâmico pretendia fazer crer que era capaz de coordenar ataques complexos e em larga escala a partir da Síria e do Iraque.
O Estado Islâmico assumia por norma a responsabilidade dos ataques terroristas que acreditava terem sido inspirados na sua ideologia, independentemente da relação orgânica que pudesse existir com os perpetradores. Não deixa de ser curioso o facto de a larga maioria dos analistas europeus defenderem posições muito semelhantes às do Estado Islâmico, servindo involuntariamente de sua caixa de ressonância.
Apesar de reconhecermos a criatividade da liderança do Estado Islâmico, a sua capacidade para comandar e controlar este tipo de ações aproxima-se do zero, particularmente nesta altura em que sitiado em Raqqa e derrotado em Mosul luta desesperadamente pela sobrevivência. No caso concreto dos ataques em Londres, tiveram de se socorrer de um segundo comunicado para corrigirem a data do ataque, inicialmente incorreta. Tinham confundido os dias.
            Do ponto de vista estratégico, o Estado Islâmico foi um projeto mal concebido e que se encontrava à partida condenado ao insucesso. Bin Laden não se cansou de alertar para os perigos em se criar apressadamente um Estado Islâmico. Seria mais tarde ou mais cedo esmagado pelo poder militar dos EUA. Tratava-se de colocar o carro à frente dos bois. A declaração de um Estado Islâmico antes do tempo tornar-se-ia uma vulnerabilidade, seria um problema em vez de uma oportunidade. O alarido provocado pelos analistas e pelos órgãos da comunicação social europeus ao redor da ameaça causada pelo Estado Islâmico contribuíram para desviar as atenções do verdadeiro problema: a crescente radicalização das comunidades muçulmanas que vivem em território europeu.
Os ataques terroristas de há dois meses no Reino Unido parecem ter tido o “mérito” - pérfido - de levar os decisores políticos britânicos a reconhecerem a importância da questão. O problema do Reino Unido está no seu território, no interior das suas fronteiras. A ameaça não tem origem no Estado Islâmico, mas sim na radicalização de largos setores da sua população muçulmana. É para este problema que se tem de encontrar soluções e não para outro.

Esse despertar dos decisores políticos e da sociedade tem lugar num momento em que, apesar da ocorrência dos ataques, as diferentes fações radicais não têm ainda um objetivo e um programa político articulado, não estabeleceram ainda a estratégia e a tática para alterar a ordem política vigente. Encontramo-nos numa fase preliminar de um movimento de massas sedicioso, cujo objetivo final será derrubar os regimes demoliberais e impor uma outra ordem política. A “feliz” falta de visão estratégica, leva-os a empenharem-se prematuramente numa fase em que o movimento se encontra muito vulnerável, e em que a sua dimensão é ainda muito reduzida para se pensar num movimento social capaz de derrubar a atual ordem política. É, pois, agora a altura dos decisores políticos europeus atuarem, já agora de uma forma concertada. Amanhã pode ser tarde.   

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Causa Nossa: Generais a mais

Tenho a maior consideração e respeito pelo Prof. Vital Moreira. Embora discorde frequentemente das suas opiniões, reconheço que os seus argumentos nem sempre são fáceis de desmontar. No entanto, volta-não-volta foge-lhe o pé para o chinelo, sem necessidade. É o caso deste post em que revela um anti-militarismo primário e uma argumentação que não está à altura dos seus pergaminhos. Podíamos talvez começar por reduzir os professores catedráticos na Universidade de Coimbra, por exemplo, que são em número incomensuravelmente superior ao dos generais das Forças Armadas no ativo, e assim talvez se resolvesse os problemas do financiamento do ensino superior.